terça-feira, 4 de novembro de 2008

A POLÍTICA DOS RINCÕES

Não é de hoje que a política em Caicó desaponta o eleitor mais esclarecido. A bipolarização, que parecia prestes a desmoronar com o resultado de 2004 onde um candidato de esquerda obteve mais de seis mil votos, recuou em 2008 com uma nova polarização de nomes ligados aos grupos políticos que dominam esses rincões desde que se ouviu falar em política por essas bandas.


Pois bem, bastou baixar a poeira das eleições para os noticiários locais se voltarem para o festival de abobrinhas, arrogâncias e desníveis dessa dinastia que não consegue ou não quer enxergar os caminhos para o desenvolvimento caicoense. Prefere emitir missivas dispensáveis utilizando a Imprensa para distribuir suas estratégias “politiqueiras” com a finalidade de se impor enquanto falsos líderes de uma banda que não toca o som que o povo quer ouvir.

Logo de cara, o prefeito eleito escanteia o seu vice publicamente, rasgando a máscara de uma gestão centralizadora e auto-suficiente que parece não visar o bem comum da população.

Gestão pública eficiente não se faz dessa forma, excluindo os parceiros e suas inteligências e se proclamando o supra-sumo da capacidade técnica e política. Administração séria e comprometida se faz com parcerias e humildade de ouvir e ponderar as opiniões, convergentes e divergentes, para buscar a melhor solução para os vários problemas enfrentados pelo Município.

E, obviamente, um aumento exorbitante e inclassificável do salário do chefe do poder executivo, seu vice e vereadores denota uma falta de sensibilidade tangível dos atuais líderes políticos de Caicó.

Agora, nossos tímpanos e pupilas são invadidos por declarações de lideranças em fim de carreira que abastecem os meios de comunicação com opiniões claramente forjadas nos rincões dos gabinetes, visando, obviamente, atingir o alvo 2010.

Basta ter um mínimo de senso crítico para filtrar afirmações direcionadas na intenção de confundir a opinião pública. Dizer que tal político “atrapalhou” ou “será esquecido” é querer redimensionar valores segundo suas conveniências. Um tipo de política, aliás, que vem contribuindo decisivamente para o visível atraso do desenvolvimento de Caicó.

Nesses rincões a política continua sendo sinônimo de decepção.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A ESTUPIDEZ DOS GINGLES SALTITANTES

A abertura das urnas não serviu apenas para escolher prefeito e vereadores que, durante os próximos quatro anos, terão a responsabilidade de gerir o município de Caicó.


O final dessa campanha política serviu, exponencialmente, para nos livrar do maior martírio musical já criado nos últimos anos: o infame hit do “Pula-Pula” que martelou nossos tímpanos com sua letra medíocre e seus grunhidos desafinados.

Independente de votar em candidato “A” ou “B”, o gingle, grudento e insuportável, trouxe o que de pior existe nas campanhas políticas: o apelo aos nossos instintos mais básicos e a bestialidade de quem não possui a capacidade de criar uma mensagem mais eficaz do que apenas “pular de um lado para o outro”.

O pior é que essa praga musical não infestou apenas os tímpanos dos caicoenses. Várias cidades adotaram a mesma estratégia irritante de abusar de nossa paciência tocando o tal “Pula-Pula” de forma insistentemente atropeladora.

E o cérebro? Pobre, cérebro. Imaginem os efeitos nocivos que tantos pulos devem ter provocado na mente daqueles que saltaram feito pererecas estonteadas ao som vil e infame de quem não tem o que dizer.

Antigamente, os gingles políticos eram feitos com mais cuidado. Respeitando a inteligência do eleitor. Muitos ainda preferem criar músicas originais que mostrem propostas e ideologia política.

Contudo, a malversação dos versos, em Frankensteins como o tal “Pula-Pula”, sublinhou a estupidez do nosso cenário musical e político, onde a propaganda é feita para aumentar as vendagens (ou conseguir votos) e deseducar nossa população com produtos descartáveis como papel higiênico.

Que em 2010, os gingles políticos sejam mais propositivos e bem menos apelativos!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

MAIS DE 70% DA POPULAÇÃO APÓIA OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA DE JORNALISMO

A pesquisa de opinião nacional CNT/Sensus, divulgada nesta segunda-feira (22/09), em Brasília, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), registra que a grande maioria da população brasileira é a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.

Para o presidente da FENAJ, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. "Esses números da pesquisa CNT/Sensus mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".

Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade. "O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia".

ConselhoA Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta: o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País - como as OABs para os Advogados e os CREAs para os Engenheiros, o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.

A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. Parte dos entrevistados, 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.

A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho - PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%.

Fonte: FENAJ

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A LOGÍCA ESPORTIVA DA GLOBO

Bastou a Record anunciar que possui os direitos exclusivos de transmissão do Pan-2011 e das Olímpiadas-2012, para "setores mais radicais da Globo" defenderem que "a emissora passe a ignorar esportes como vôlei de praia e ginástica". Tal informação foi divulgada por Daniel Castro da coluna "Outro Canal", da Folha de São Paulo.


Não é de se admirar que a "vênus platinada" realmente ostente atitudes tacanhas como a divulgada na nota. Basta lembrar que a Eurocopa 2008 foi ignorada pelos noticiários esportivos globais, como se a competiçao sequer estivesse ocorrendo. Apenas uma tímida menção no Fantástico e uma matéria razoável no Globo Esporte, falando sobre a vitória da Espanha.

Informações como essa, quando caem na Mídia, devem ser consideradas mais do que simples "Buzz" ou "zumbidos". Era de se esperar que os executivos da Globo não admitissem o drible vergonhoso levado pela Record nessas transmissões esportivas. "Ignorar" esses esportes, pelo retrospecto recente, estava mesmo no tablado. Até pela lógica de mercado trabalhada pela Globo que trata os concorrentes tentando passar para o público que eles não existem.

Independente de simpatia por emissora "A"ou "B", a transmissão da Record deverá, pelo menos, respeitar o espectador que gosta de acompanhar as modalidades esportivas, sem interferência do horário da novela ou da rotineira programação televisiva que empurra um jogo de futebol do brasileirão para o irritante horário das 21h30. Quando há monopólio, tudo é moldado segundo as necessidades de quem detém o poder de veiculação.

Contudo, Record, com direito de transmissão do Pan-011 e das Olimpíadas-012, deve abusar do fator "exclusividade". Até por ser cópia declarada do modelo "Global" se observarmos o atual destaque dado ao setor de teledramaturgia que vinha alavancando seus índices de audiência. Setor que, aliás, vem perdendo espaço nas últimas semanas para a reedição da relíquia Pantanal no SBT.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O BOCAS PAROU?

Parece que o Bocas Miúdas entrou mesmo em recesso. Os post’s, antes atualizados diariamente, deram uma parada. Esse escriba que vos fala não se exime desse marasmo. O último comentário publicado por aqui data de mais de um mês.

Falta de tempo! É essa a justificativa. Acredito que ocorre o mesmo por parte de outros Bocas. O dia bem que poderia ter umas horas a mais para que pudéssemos nos dedicar a ler bons livros, viajar, ver filmes, relaxar e escrever para o Bocas Miúdas. Coisas do tipo.

Não é bem o que ocorre. Quando surge algum raro tempo vago vem na lembrança aquele trabalho que poderíamos adiantar para termos um pouquinho mais de tempo. Simplesmente irônico...

Campanha Morna...

Bem, a campanha política começou. Por si só, a disputa já seria um mote acalorado para discussões e mais discussões. Contudo, por enquanto, a disputa em Caicó está morna, totalmente sem graça.

Até agora não ouvimos falar em propostas concretas para o desenvolvimento da cidade. Apenas aqueles insistentes e descerebrados jingles que insistem em buzinar nos nossos ouvidos a todo instante. Aliás, ontem, tivemos o desprazer de ouvir uma versão do Hino das Antas “Créeeu” para um jingle político lá da cidade de Pau dos Ferros. Simplesmente aterrorizante. Favor, políticos caicoenses, não façam adaptação!!!

Cineminha...

Nesse post tríplice, vamos falar um pouco sobre alguns bons filmes vistos recentemente.

Batman – O Cavaleiro das Trevas: é desses filmes que se garantem. Não é só o último longa-metragem de Heath Ledger, que encarna um anárquico Coringa. Christopher Nolan, o diretor, dá um ar de seriedade a essa franquia que deve estabelecer um novo parâmetro para as adaptações de HQ para o cinema. Quer dizer, os próximos produtos da leva Hollywoodiana serão inevitavelmente comparados a esse arrasa-quarteirão com cérebro. Nota: 9,5.

Estômago: cinema nacional independente com humor negro brejeiro. Estômago narra a ascenção e queda de um cozinheiro que sai do restaurante direto para a cadeia. O filme revela que por trás da nossa presente artificialidade existem camadas as quais não conhecemos bem. Ou seja, ninguém é o que parece. Filmaço! Nota: 9,0.

Mais sobre cinema no observatoriodecinema.blogspot.com

quinta-feira, 26 de junho de 2008

AS CONVENIÊNCIAS DA EDIÇÃO JORNALÍSTICA

No jornalismo, o editor “exerce o controle operacional e é o responsável pela aprovação dos textos para publicação, decidindo adequações e posições das matérias no corpo do veículo”. Ou seja, o editor ou conselho editorial, define a posição do meio de comunicação a respeito de um determinado assunto e decide o que deve, ou não, ser publicado.

Esse conceito de edição jornalística é o ponto inicial para uma discussão a respeito da forma como tomamos par de informações diversas, segundo este ou aquele veículo de imprensa.

O leitor/espectador/ouvinte comum talvez não perceba muito como isso ocorre. Mas a edição jornalística assume um papel preponderante na vida social, política e econômica das pessoas.

Basta lembrar do famoso debate entre Lula e Collor nas eleições de 89, quando uma edição articulada colocou os piores momentos do candidato petista e os melhores do “Caçador de Marajás”. O resultado dessa edição simplesmente mudou os rumos da eleição e, consequentemente, do Brasil. Essa posição reacionária da Globo já havia ocorrido nas campanhas de Diretas Já quando o canal deixou de lado movimentações que simplesmente pararam o país. Tudo isso foi feito em função de posicionamentos políticos da emissora de Roberto Marinho.

Isso também ocorre na exibição da Eurocopa. Qual o motivo da Rede Globo simplesmente ignorar a competição? Ou você já viu algum noticiário dessa emissora falar sobre o torneio que reúne as principais seleções da Europa? Se já, foi algo muito velado. Pois não interessa a essa rede de TV falar sobre um campeonato que está atraindo espectadores para a Record, hoje sua maior rival. Diante disso, quem só vê a Globo não sabe que a Eurocopa está sendo disputada.

Para não ficarmos restritos à Vênus Platinada, basta conferir os jornais impressos do RN. A Tribuna do Norte que pertence aos Alves, assim como a TV Cabugi, não colocam reportagens que atinjam os seus patrões. Exemplos são muitos. Também vemos isso nos meios de comunicação caicoense, basta prestar atenção como cada veículo exerce seu papel segundo uma linha editorial sujeita à edição.

Se avaliarmos questões como Imprensa Livre e Democrática esses são meios que cerceiam o direito do indivíduo de ser bem informado. Em contraponto a isso, essa própria democracia permite que tenhamos inúmeras opções no tocante ao ter acesso a essas informações sem ser hipnotizado pela edição ditatorial deste ou daquele meio.

Para ter a informação real é importante, portanto, não se limitar a uma única linha de raciocínio, pois dessa forma você receberia um só ponto de vista e seu pensamento ficaria limitado e erroneamente direcionado a essas conveniências.

Obs: Ilustração - Canal da Imprensa

Postado por RV

sexta-feira, 20 de junho de 2008

ONDE ESTÃO AS PROPOSTAS?

Para tolerar essa época pré-eleitoral onde os partidos definem seus rumos, alianças, sabores e dissabores é preciso ter, antes de tudo, paciência e estômago.

O noticiário político, que já vinha batendo nessa tecla “eleições’ desde que as urnas foram abertas em 2006, intensificou a cobertura, procurando informações, boatos, fuxicos e demais motes para instigar o eleitor a se interessar pelo pleito e, sem dúvida, ganhar dividendos nessa guerra de notícias.

Não é um mal apenas de Caicó, Seridó ou Rio Grande do Norte. Em todo canto a discussão é única: quem vai se dar bem e quem vai entrar pelo cano.

Pois bem, diante de tantos acordos e arrumações, incrível como há quase uma unanimidade na falta de discussão de projetos para o desenvolvimento.

Não é hora? E quando será? Em cima do palanque? No calor da disputa eleitoral, quando a briga vai ficar mais rasgada e as contradições, denúncias e brigas externas vão ficar mais aquecidas?

Se essa não é a hora, então, ficaremos eternamente pasmos observando o jogo de enxadristas que se trava para acomodar “esse” ou derrotar “aquele”? Política, afinal, ainda se faz para o povo ou para aqueles que utilizam os futuros mandatos em proveito unicamente pessoal?

Pior, saber que basta termos em mãos os resultados das urnas, outubro vindouro, para começar a celeuma do pleito de 2010.

E as propostas? Projetos? Onde encontraremos nessa entressafra? Haverá ainda algum resquício de massa cinzenta após essa interminável batalha de egos e disputa de posicionamentos?

QUANTOS LIVROS VOCÊ LÊ POR ANO?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O brasileiro lê apenas 1,8 livro por ano, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgados em 2001. Já reportagem da Folha de São Paulo indica que apenas 26 milhões de brasileiros gastam seu tempo com livros, o que representa 30% da população alfabetizada acima de 14 anos.

Para este ano a CBL pretende traçar um novo perfil de leitura do brasileiro, de acordo com o jornal Gazeta Mercantil.

A expectativa é de que esse número melhore, mesmo assim ainda está um universo de distância do ideal. Exemplo? Na França a média é de sete livros, nos EUA de cinco. Já na Alemanha esse índice sobe para 25 livros por ano.

Enquete do jornal paulista mostrava que dentre as principais causas para esse problema estão: família sem hábito de leitura, livros caros, costume de ver mais TV e cinema, ensino precário, falta de programas de incentivo e bibliotecas sucateadas.

Esses são números alarmantes. O estímulo à leitura é básico para a formação de qualquer cidadão. Depende da escola, da família e de políticas públicas de incentivo à leitura.

Essa realidade, infelizmente, também é bem visível em Caicó. Não temos dados concretos, mas basta conversar com alguns jovens para perceber nitidamente como inexiste essa curiosidade pela leitura. Poucos lêem alguma coisa. Vez por outra as obras obrigatórias das provas, quando não pegam a sinopse na Web.

E o que isso gera? Cidadãos desinformados sem capacidade de raciocínio, discernimento e argumentação. O que é realmente preocupante.

Diante do exposto, o Bocas Miúdas pergunta: você também lê menos de dois livros por ano?

Postado por RV

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Lançado na abertura do Festival de Cannes, Ensaio Sobre a Cegueira, do diretor brasileiro Fernando Meirelles, é uma adaptação do livro homônimo do Nobel de Literatura, José Saramago. No filme, uma única mulher (Julianne Moore) se vê imune aos efeitos de uma epidemia de cegueira que contagia habitantes de uma grande cidade.

Alegoricamente, essa sinopse diz bastante sobre a própria condição humana, onde não é possível enxergar o atual estado de coisas por que passa a nossa humanidade. O longa discorre sobre essa sensação de falsa “segurança” que eclipsa nosso espírito crítico e impede o “agir” ou, pelo menos, o “pensar”.

Há muito disso no nosso dia-a-dia, basta acompanhar os noticiários. Diariamente, somos embriagados com essa edição diária que decide o que é ou não importante divulgar. Ficamos cegos com a cobertura incessante de certos fatos, sem termos a possibilidade de oxigenar o espírito crítico. Como uma lavagem cerebral, a cegueira pode ser estimulada por quem quer nos manter cegos.

Essa cegueira também pode vir daqueles que utilizam os discursos emocionais de ícones já soterrados no nosso próprio imaginário, reforçando a ideologia das cores e bandeiras, sejam elas, verdes, vermelhas ou azuis. Inibir nossos sentidos, apelando para o irracional, é a melhor atitude para manter essa dominação. Politicamente, foi assim que se formatou essa velha idéia de “currais”.

Trazendo essa argumentação para a nossa realidade, em ares caicoenses ocorre muito disso. A cegueira (ou surdez) vem dos pronunciamentos contundentes de quem acredita que estamos no velho oeste americano, onde a força da oratória se justifica em tornar a tonalidade da voz um instrumento de dominação. Ou de quem apadrinha velhos senhores de engenho como os comandantes dos nossos destinos.

É esta a “cegueira” que Saramago e Meirelles observam que domina todos os horizontes e Caicó não está de fora. Enquanto não educarmos nosso pensamento e não criarmos cidadãos conscientes de sua importância social, continuaremos cegos e surdos, diante da pequenez dos que querem a perpetuação dessa cegueira.

Postado por RV
Acesse também o observatoriodecinema.blogspot.com

A SOBERBA AGRIPINISTA

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Senador José Agripino (DEM-RN) há muito assumiu seu posto como arauto da oposição ao Governo Federal. Discursos ríspidos, duros, veementes contra todo e qualquer ato, positivo ou negativo, do Governo Lula são rotineiros no seu dia-a-dia. Não importa se a ação em questão vai beneficiar a população ou não. O senador potiguar é oposição e ponto final.

Essa disposição agripinista de atacar por atacar mostrou sua fragilidade argumentativa na reunião da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, nesta quarta-feira (7), onde a Ministra Dilma Rousseaf dava explicações sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Agripino relembrou uma velha entrevista onde Dilma afirmara ter mentido quando foi torturada na época da Ditadura Militar. Ele insinuou que a Ministra continuava mentindo, fazendo referência ao caso do suposto dossiê do Palácio do Planalto sobre as contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segura, a Ministra da Casa Civil reafirmou que mentiu e expôs seu orgulho em ter mentido para salvar a vida de seus companheiros. Emocionada, Dilma lembrou que é muito difícil mentir sob tortura e assinalou que, naquela época, ela e o senador Agripino estavam em lados completamente opostos.

"Não é possível supor que se dialogue no choque elétrico, no pau de arara, não há possibilidade de um diálogo civilizado, qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira, só pode partir de quem não dá valor à democracia", disse a ministra.

Bastou isso para o Senador do Rio Grande do Norte baixar a crista e perceber que estava se afogando na sua própria soberba.

Ao citar o regime militar de forma pejorativa, demonstrando desconhecer o sofrimento de quem, naquela época, lutou em favor da democracia, José Agripino deixou cair a máscara, tão bem posta na função oposicionista que vem desempenhando nos últimos anos.

Esse deslize infeliz deixou à mostra as fragilidades de quem ostenta um discurso vazio e excessivamente arrogante.

Postado por RV

Obs: Democracia é isso! Em outras épocas uma discussão saudável jamais seria permitida. Para mim, o que vale é o confronto de idéias, independente de tendências políticas "A" ou "B".

Agora, para quem quiser se aprofundar mais sobre a história do senador democrata do RN basta ler a matéria "Filhote da Ditadura", publicada na revisa Caros Amigos do mês de abril/2008, que mostra a trajetória de José Agripino.

A indicação é do leitor Fabiano. Confiram no link: http://www.ailtonmedeiros.com.br/aos-nossos-caros-leitores/2008/04/14/

UM TEMPO SEM PERDÃO

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O tempo parece que passa mais rápido. Quando somos crianças não temos essa impressão. Temos todo o tempo do mundo. Hoje esse tempo parece perdido.

O que é esse passar de horas, dias, semanas, que se tornam longos períodos a relembrar de um dia que há muito já passou? O que é essa angústia que semeamos e colhemos como se fosse uma vã esperança de um dia que talvez já não mais renasça?


Será que estamos tentando aproveitar esse dia com um breve sorriso nos lábios? Estamos olhando para o amanhecer da mesma forma que o anoitecer? Percebemos essa dádiva que nos foi dada da mesma maneira que procuramos gastar nosso tempo com o que há de mais supérfluo?

A vida é esse paradoxo. Às vezes entendemos, mas nem sempre 0 fazemos. Em muitas oportunidades deixamos de cuidar daquilo que para nós é o que há de mais precioso. Chegamos a pisar, como se fosse um traste, um entulho ali guardado nos recônditos de nosso pensamento.

Mas o tempo é implacável. Ele passa rápido e não fazer o que é preciso hoje pode se tornar uma fria recordação amanhã, quando já não poderemos mais voltar atrás.

É o orgulho de não admitir que estava errado. A maledicência de achar que eras o melhor. A avareza de não dividir o seu tempo com o que há de mais importante. A condição de se permitir viver com esse olhar nefasto e um coração de pedra.

E o tempo? O tempo não vai te perdoar. Ele passará como um trator. E quando finalmente alcançar essa percepção não terá mais nada além da poeira carregada pelos ventos da discórdia que, com tanto rancor, você mesmo semeou.

Postado por Raildon Lucena

A ESPECULAÇÃO POLÍTICA

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A cada dois anos é o mesmo lenga-lenga. Quem vai se coligar com quem? Quais as alianças preferenciais? Quem fica com a cabeça da chapa e o vice? Quais os potenciais vereadores? Por aí...

O noticiário político, então, é resumido a isso. Reunião de “A” com “B”, de “B” com “C”. Quem vai ficar de fora? Quem vai trair quem? Quem vai se beneficiar? Quem vê 2008 pensando em 2010?

Para quem procura praticidade no viés público, esse jogo especulativo chega a ser cansativo e enfadonho. E o pior: é realizado a cada dois anos. Mal termina uma campanha, já começa a se discutir a próxima.

Nada contra estratégias, jogos de xadrez ou como queira se chamar. O grande problema dessa especulação incessante é a paralisia que ela provoca nas ações públicas. Tudo gira em torno de uma comunhão de interesses conflitantes. De uma guerra paradoxal onde o povo acaba perdendo.

Ocupar tal cargo público deixou de ser a busca da melhoria das condições de vida da população para se tornar moeda de apoios futuros. Não se vê a discussão de planos de governo para melhorar saúde, educação, meio-ambiente ou cultura. O que se visualiza é um processo onde os nomes preferenciais são escolhidos de acordo com os anseios de outrem.

Pior é a sopa de letras que as agremiações políticas se tornaram. É complicado identificar quais políticos realmente praticam a ideologia defendida pelo seu partido. Talvez sequer leiam o próprio estatuto. Será que, ao menos, entendem o modelo ideológico do qual fazem parte? Difícil...

Nesse percurso, o cidadão comum cai na rede sem perceber. Vota em nomes, quando deveria optar por propostas. Entra com ânsia na onda de boatarias e finda se esquecendo de cobrar as devidas ações políticas que poderiam melhorar o seu bem estar.

Que a campanha, pelo menos, traga propostas concretas e não o vácuo de sempre. Pois, depois que essa passar, a onda especulativa voltará com força.

Postado por RV

Obs: Gosta de cinema? Acesse o observatoriodecinema.zip.net

A EXPLORAÇÃO MIDIÁTICA NO CASO ISABELA

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Em meio a poeira que baixou sobre o “Bocas Miúdas”, vamos falar sobre os excessos da Mídia Brasileira no caso Isabela.

Recente matéria da Folha Online indicou que os telejornais brasileiros cresceram até 46% na sua audiência. O “Balanço Geral” da Record cresceu 25%. O Jornal Nacional da Rede Globo dedicou 37% do telejornal à cobertura desse caso. O “Brasil Urgente” da Band também viu sua audiência crescer. Até o “Fala Que Eu Te Escuto” da Igreja Universal reconstituiu o crime, segundo o jornal paulista.

É certo que o assassinato de Isabela comoveu todo o Brasil. Óbvio que todo mundo está curioso para saber o desfecho desse crime. Mas, convenhamos, as redes de TV estão usando a curiosidade detetivesca do povo brasileiro para ver quem fica em primeiro lugar no Ibope. O exagero é tanto que as emissoras procuram dissecar cada informação obtida como se fosse algo extraordinário. Parece até final de novela das oito.

Mas isso não é exclusividade desse caso chocante. A mídia como um todo possui mesmo essas ondas. De repente, um escândalo. Todos se voltam para esse fato. Um acidente de avião? Cobertura 24 horas. Direcionam suas câmeras para o que mais chama a atenção deixando outras coisas de lado.

Acaba sendo um defeito de nossa Imprensa, mas, em parte, é culpa do telespectador que alimenta esse ciclo. Ou melhor, é culpa do próprio sistema de mercado onde a informação se tornou produto. E ganha melhor quem vende mais.

Não criticamos aqui a cobertura em si. Apenas observamos os seus "excessos com fins mercadológicos".

Postado por RV

CAICÓ VIROU UM OÁSIS... O MOSQUITO AGRADECE!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Uma campanha de guerrilha com o intuito de mostrar as realizações da prefeitura de Caicó invadiu todas as trincheiras dos meios de comunicação da cidade nos moldes do “Tá Melhor” do Governo do Estado.

Basta ligar o rádio, qualquer estação, para começar a tocar um jingle que, de maneira insistente, assegura: a cidade se tornou um oásis de obras. Deve ser a primeira fatia dos R$ 370 mil que serão investidos somente em publicidade neste ano eleitoral de 2008.

Curioso que a prefeitura de Caicó não tenha dado tanta bola às estratégias de comunicação nos anos anteriores. E não falamos aqui desse tipo de campanha “lembrete” que tenta fisgar o eleitor pela repetição. Falamos das campanhas educativas e de cidadania, papel fundamental da administração pública.

Principalmente numa época de chuvas como essa, onde há uma rápida proliferação do mosquito da dengue. Seria correto e coerente investir em campanhas publicitárias ensinando a população quais os cuidados que se deve ter para evitar os focos dessa doença. Você pode até estar ciente do que pode fazer para dizimar o mosquito, mas se o seu vizinho desconhece, ambos adoecem.

Para que isso fosse evitado, era essencial que a prefeitura de Caicó cumprisse o seu papel público com uma campanha cidadã maciça ensinando tudo o que é preciso fazer para evitar a dengue. Infelizmente, não é isso que vemos. A meta da administração, nitidamente, é outra.

É de se esperar que a consciência da população esteja naturalmente calibrada para que a cidade não se torne um oásis para o famigerado mosquito da dengue.

APROVEITAMOS O ESPAÇO PARA DEIXAR ALGUMAS DICAS

Você tem plantas em casa? Os pratinhos vivem cheios de água? Você já checou se sua caixa d´água é bem fechada? A dengue é o perigo que mora dentro de casa.


Enquanto ainda não há vacinas, a única maneira de evitá-la é não deixar o mosquito nascer.Para isso, é preciso acabar com os focos, ou seja, com os criadouros. Como? Não deixando água parada.


É nos cuidados diários que podemos proteger nossa família e também nossos vizinhos contra a dengue.Sabe aquelas garrafas, latas, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes e embalagens que ficam jogadas por aí? Elas acumulam água e viram um ótimo esconderijo para que o mosquito ponha ovos e se desenvolva.


Livre-se de tudo isso! Ou cuide para mantê-los secos.Durante a chuva, pneus velhos também podem fazer a festa do mosquito.


Cubra-os ou fure-os para evitar o acúmulo de água.Ao regar as flores, tome cuidado para não deixar água acumular nos jarros ou pratinhos.Mantenha caixas d´água, cisternas e afins bem vedados.Não deixe acumular água em sacos de lixo.


Mantenha a lixeira sempre bem fechada e seca.Mantenha aquários, gaiolas e alimentos cobertos.Deixe ralos, calhas e tubulações desentupidos para não haver acúmulo de água da chuva.Se cada um seguir esses conselhos, toda a comunidade sairá ganhando.


Não se combate a dengue sozinho. Essa luta exige a participação de cada cidadão. Não se esqueça: a dengue se combate todo dia.

Postado por RV

AFUGENTANDO OS CLIENTES...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Diz a lenda que os vendedores do comércio de Caicó precisam de reciclagem. Nunca levei muita fé nessa premissa. Achava que o fato da cidade ser o pólo do Seridó já provava nosso tino comercial e qualidade no atendimento.

"Dãhh! Aguém pode me atender bem?"

Esse conceito, em minha opinião, foi um pouco arranhado nos últimos meses por fatos lamentáveis ocorridos em pelo menos dois estabelecimentos comerciais da cidade com este “descendente profissional” do velho Pero Vaz.

Precisava de um celular. Uma promoção me chamou a atenção. Jamais tinha sido usuário daquela operadora que o nome já nos cumprimenta na entrada. Pelo atendimento que recebi na hora da compra, só passei a ser de atrevido que sou.

Olhei os celulares. Perguntei as funções e toda aquela ladainha que o cliente tem o direito de saber. Para minha surpresa, a atendente olhou para mim e perguntou: “vai comprar ou não vai”. Achei que era brincadeira. Ledo engano. Estava bastante interessado no celular, daí brinquei: “cliente tem que se informar, ora bolas?”. E ela vomitou: “mas você também pergunta demais”...

É assim que se fideliza um cliente? Com mau-humor e atendimento medíocre?

O outro constrangimento passei numa grande loja recém-inaugurada no centro da cidade. Comprei um som que toca MP3. Nem pestanejei. Dividi o dito-cujo em três vezes no cartão. Com uma semana, a tecla de adiantar as músicas parou de funcionar. Procurei a nota fiscal que estava no bolso de uma calça, lavada poucos dias antes.

Procurei a tal loja e os atendentes informaram que “não poderiam tirar uma segunda via, mas iriam resolver”. Muito educados, por sinal. No outro dia, pediram mais um prazo. Aceitei. Como se passaram 15 dias, resolvi levar para consertar. Probleminha besta. Custo: 28 reais, ninguém vai morrer por tão pouco. Peguei meu som, passei na loja e perguntei novamente sobre a segunda via. “Sinto muito, a culpa é do sistema, não tinha como resolver mesmo”. Enquanto ela falava isso, o outro que me atendeu pela primeira vez ficou ao longe, nem veio falar comigo novamente.

Ah é? Muito bem. Aceitei as desculpas da moça, que não tinha culpa mesmo, mas fiquei indignado com uma loja “tão famosa” que sequer tem a competência de tirar uma segunda via. Culpa do sistema? Que nada! A culpa é de lojas que não tem a boa vontade de resolver problemas mínimos. Bobagens que afastam de vez os clientes daquele lugar. Não quero nem saber se a maré tá mansa. Por ali não passo mais.

Esse texto não tem a pretensão de generalizar. Seria muita arrogância tentar transparecer uma idéia desse tipo. Agora, a velha lenda, que antes considerava execrável, ganha alguns pontinhos.

Afinal, como diz o velho clichê “ bom atendimento é a alma do negócio”.


Postado por Raildon Lucena, RV

A ARTE E A VIDA DE QUEM FAZ CULTURA POR VOCAÇÃO

quinta-feira, 20 de março de 2008

BANCADA DA OPOSIÇÃO VETA CRIAÇÃO DA FUNDAÇÃO CULTURAL DE JANDUÍS
Trabalho em Janduís desde o ano de 2004. Assumi a Assessoria de Comunicação do Município no ano seguinte. Desde então, descobri uma cidade onde se respira cultura. Onde a vocação de um povo é a arte. Arte, que é Patrimônio daquele povo.


Não é preciso andar muito por lá para ver as variadas manifestações culturais: teatro de rua, capoeira, araruna, palhaços, pastoril, artes plásticas, música, coco de roda, poesia, entre tantas outras vertentes da cultura popular. Também temos por lá as feiras culturais de São Bento e de Santa Teresinha.

A arte, enquanto movimento de resistência, permitiu que até o cinema chegasse por lá. Não a estrutura física de um, mas a sétima arte em si. Uma equipe do cineasta Buca Dantas de filmes como “Viva o Cinema Brasileiro!” está na cidade produzindo a adaptação cinematográfica de uma peça de teatro, de um artista local, que, inclusive, ganhou o Prêmio Nacional Mirian Muniz de Teatro de Rua. O filme “Perdição” deverá contar com a participação do ator cubano Julio Perugorria, de filmes como Morango e Chocholate.


Esse movimento cultural em Janduís deu origem ao “escambo de teatro de rua”. Os artistas de rua de Janduís foram matéria da revista Veja “Estrelas do Sertão”, do Jornal do Brasil e Fantástico, no final da década de 80.


Esse espírito cultural é espontâneo e, a partir de 2005, voltou a ter incentivo do Poder Público do Município. Tanto que o Prefeito Salomão Gurgel criou o Conselho Municipal de Cultura e enviou esta semana para a Câmara o projeto de lei que criaria a Fundação Municipal de Cultura.

Esse projeto é uma determinação do Sistema Nacional de Cultural. No Rio Grande do Norte, apenas 24 municípios contam com esse órgão gestor que fortalece as políticas públicas culturais.


A Administração consultou a classe artística no mês de janeiro. Seria criada uma Secretaria de Cultura ou uma Fundação. Eles optaram pela segunda opção.

Animados, os artistas promoveram atos públicos culturais. Cortejos pelas ruas da cidade com manifestações pacíficas. A classe, em peso, lotou a Câmara Municipal. Em vão. A bancada oposicionista votou CONTRA o projeto. Vetou a Fundação Municipal de Cultura. Tentou vetar a cultura popular em Janduís.


Lágrimas caíram dos olhos dos artistas que foram à Câmara fantasiados de palhaços, cangaceiros e bailarinas. Crianças e jovens que aspiravam por uma fundação que daria mais fôlego ao movimento cultural saíram da Câmara decepcionados com os cinco vereadores de oposição que, sem argumentos cabíveis, sepultaram a Fundação Municipal de Cultura de Janduís.


Mas quem faz cultura não baixa o olhar diante dos desmandos de quem não entende o que é cultura. Os artistas, logo após a sessão, saíram em cortejo pelas ruas. Cantando, dançando. Chorando, mas ao mesmo tempo sorrindo.

Pararam defronte a Igreja de Santa Teresinha. Encenaram a morte simbólica da Fundação, com todos os artistas deitados no chão. Depois se abraçaram e cantaram o Hino do Município. Sim, em Janduís o hino é cantado desde os tempos de escola.


A seguir os artistas gritaram suas lamentações, olhando para um novo dia. Pois, apesar do fato de terem jogado uma pá de terra sobre a cultura popular, ela não morre. Ela é perene e, no caso de Janduís, está no sangue de cada um.

Dedicado a todos os artistas da cidade de Janduís...

Postado por Raildon Lucena, o RV

CHEGA DE DEGRADAÇÃO AMBIENTAL EM CAICÓ!

quarta-feira, 12 de março de 2008

O QUE FAZER COM O LIXÃO DE CAICÓ???

Meu primeiro trabalho de campo na faculdade de Jornalismo foi no lixão da cidade de Campina Grande/PB. Lembro como se fosse hoje. Aula de Estágio Supervisionado do professor Ribamildo Bezerra. Lá, encontramos uma situação triste com pessoas catando lixo para sobreviver. Crianças e idosos tendo que passar por essa degradação. Não esqueço de um senhor que sequer usava luvas, pois, segundo ele, já não eram mais necessárias, tão calejadas estavam as suas mãos.

Ano passado conheci o lixão de Caicó. Situação semelhante ao de Campina Grande com alguns agravantes. Quando chegamos lá, alguns catadores ferviam restos de frango encontrados no meio de lixo. Esse era o almoço deles...

LIXO HOSPITALAR? BATERIAS? CADÊ A COLETA SELETIVA?

Encontramos lixo hospitalar no meio dos restos. É esse o destino dos resíduos produzidos pelas unidades de saúde do nosso Município? Naquela época, fiquei sabendo que a turma de pós-graduação em gestão ambiental da FIP fez uma denúncia constatando irregularidades com o incinerador que deveria ser utilizado para destruir o resíduo hospitalar. Será que isso já foi resolvido???


Lá também encontramos baterias, pilhas, disquetes, material eletrônico que não deveria estar sendo jogado ali. Tudo misturado com restos de comida. Onde está a coleta seletiva???

“BICHOS ESCROTOS, SAIAM DOS ESGOTOS”

Fora que o acúmulo de lixo vem causando a proliferação de insetos, moscas, ratos, trazendo sofrimento para os que residem naquelas proximidades.

O município de São Fernando também vem sofrendo com a fumaça emanada pelo lixão de Caicó.

LIXÃO DE CAICÓ E A POLUIÇÃO DOS RIOS

Mas o pior disso tudo é a própria localização do lixão que derrama o “chorume” da queima do lixo no rio Seridó. Tudo isso vai direto para a barragem Armando Ribeiro Gonçalves. Ou seja, o lixão de Caicó é um dos principais poluentes dessas águas.


Havia um ajustamento de conduta para o lixão de Caicó da gestão passada que, ao que parece, caducou. A atual gestão estaria promovendo algumas reuniões em busca do local ideal para colocar o lixão. Mas, segundo uma fonte, o processo anda a passos de tartaruga. Há ainda a proposta de um consórcio entre os municípios para a construção de um aterro sanitário. É importante chegar a uma resposta, pois é hora de parar de destruir nosso meio-ambiente.

FLAGRANTE DE POLUIÇÃO NO RIO BARRA NOVA

Ano passado, andando próximo à ponte do rio Barra Nova, flagramos as águas do rio sujas por uma substância avermelhada. Crime ambiental! Na hora em que chegamos, alguns peixes se debatiam, sufocados pela poluição. Deixo a imagem para quem quiser ver.

CIDADE PRECISA DE CINTURÕES VERDES

Na lei orgânica do Município há um item que prevê a criação de “cinturões verdes” em Caicó, que são espaços ambientais para visitação e preservação da nossa flora. Alguém tem notícia de alguma ação do Município nesse sentido?

Postado por RV

EDUCAÇÃO É A SOLUÇÃO

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A solução para os problemas do Brasil é a educação. Todos concordam com isso, acredito. Sem uma educação de qualidade, nosso país não tem como se desenvolver.

É preciso diminuir os índices de analfabetismo, fazer um bom trabalho de base nas creches e nos primeiros anos de aula, fazer com que os alunos tenham um rendimento mais eficaz com trabalhos que ampliem seus horizontes e, claro, precisamos, sobretudo, de universidades que possam preparar os profissionais para o mercado de trabalho. Entre várias outras medidas, obviamente.

Nessa premissa, é necessário fazer com que o aluno, antes de mais nada, pense. O Brasil urge de pessoas com espírito crítico. Precisa de mais cabeças pensantes e menos “cabeças-de-vento”.

Com uma visão de mundo mais apurada, o país só tem a ganhar. As pessoas irão votar com mais sabedoria. Teremos dirigentes mais responsáveis e um serviço público menos viciado.

CEJA E SENADOR GUERRA SOFREM COM INEFICÁCIA DO GOVERNO

É crítico o estado de conservação do Centro Educacional José Augusto e do Senador Guerra, escolas coordenadas pelo Governo do Estado. Há cerca de seis meses, visitamos aquelas instituições de ensino. A denúncia, portanto, é antiga.

Chegamos a encaminhar matérias para a imprensa. Até agora, o Governo não se pronunciou. Um silêncio realmente preocupante.

ESTUDANTES PRECISAM DO TRANSPORTE ESCOLAR

Fora esse exemplo, que deve se repetir em várias outras escolas estaduais do Rio Grande do Norte, nossos estudantes da zona rural também “apanham” desde o ano passado com a falta de transporte escolar. O Governo do Estado não fez o repasse para esse convênio. Fala-se que em 2008 haverá uma espécie de “compensação”. Diante dessa notória falta de compromisso, a promessa é duvidosa.

Só em Caicó são cerca de 900 alunos que dependem desse transporte. Sem ele, não podem ir à escola, pois as famílias não possuem condições de buscar meios alternativos.

Com isso, aumenta o êxodo rural. As pessoas se deslocam para a cidade, “inflando” os municípios, que precisam ser bem planejados para absorverem essa quantidade de gente. No caso de Caicó, pelo que sabemos, não há planejamento.

Fica aqui a lamentação. São apenas alguns exemplos de uma educação que agoniza na UTI. Educação, como foi dito antes, é a solução. Ao que parece, o Governo do Estado ainda não teve essa percepção.

postado por RV

O RUÍDO QUE ENTORPECE OS SENTIDOS

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

É triste constatar a péssima qualidade da música que “ouvimos” atualmente. Isso não vem de hoje, claro. É um processo que vem de algum tempo, mas que parece piorar com o passar dos anos.

Nessa decadência, facilmente constatável na futilidade das letras das canções de sucesso, é possível observar como os valores estão sendo deixados de lado em prol de um mercantilismo fácil e descartável.

Principalmente no “forró” que se escuta hoje, a mulher perdeu o seu valor. É insultada e tratada como produto de “mei de feira”. Seus atributos só são mensuráveis no âmbito “sexual”, com letras torpes e depreciativas. É tanto que alguns já chamam o subgênero de “forró da rapariga”.

Convenhamos, se é que “aquilo” pode se chamar de forró, também não vamos destroçar o gênero cantado de forma tão poética por Gonzagão e Flávio José. Quem conhece e gosta do bom forró simplesmente ignora tais manifestações aculturais.

Até pensávamos que isso seria uma exclusividade do axé music, hoje gênero restrito às micaretas e ao período de carnaval, que chegava a personificar o “derriére” feminino: “lá vem a bunda passeando pela feira, vai conduzindo Raimunda orgulhosa”, quer dizer, a bunda conduz a mulher? Ou do inexplicável “funk Carioca” que consegue criar hits insuportáveis apenas coaxando como um sapo: “créeeeu! créeeeu!”.

O sapinho olha, desconfiado,
coaxa "créeeeeu!!!", e todo mundo canta...

Conversa de pseudo-intelectual, você pode indagar. No entanto, vejamos o efeito negativo que essas “músicas” podem provocar na nossa juventude. Até por efeito dessa era sem valores que vivemos, nossas crianças assumem uma sexualidade precoce, o que se torna um grave problema social. Além do mais, muitas acham divertido “beber, cair e levantar”, como pude verificar in loco garotos cantando esse tipo de coisa, achando graça, criando esse sentimento de que se “embriagar é legal”. Deveria ser obrigatório colocar uma advertência do Ministério da Saúde nesse tipo de produto: beber é prejudicial à saúde.

“Mas isso só é culpa da música ruim?”, você pergunta. Claro que não. Trata-se de uma desvalorização generalizada da qual a música também faz parte. Tem público? Tem. O povo gosta? Aí vem a pergunta: será que gosta mesmo, ou está condicionado a gostar daquilo? Afinal, quando os meios de comunicação não divulgam as opções, as pessoas engolem qualquer coisa, até mesmo pelo efeito modismo.

Essa reflexão, entendam assim, apenas serve de alerta, um pensamento para esse momento negativo onde não há mais espaço para canções com letra e sentido. No geral, esses “letristas” transmitem mensagens erradas (diretas e subliminares) que, em nada, contribuem para o processo educativo, pedagógico e de formação humana. Só servindo mesmo para apaziguar esse lado irracional da nossa bestialidade.

RV

Prazer, RV!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Olá, sou Raildon Lucena, ou como os amigos mais próximos me chamam, RV. Aceitei participar desse blog pela possibilidade de termos 7 pessoas, com suas visões políticas e experiências de vida diferenciadas, opinando sobre assuntos diversos. Acredito que desse embate de pensamentos teremos várias discussões interessantes e frutíferas. Essa é a proposta do Bocas Miúdas, creio eu.

Como esse primeiro post é de apresentação, vamos lá: sou jornalista, filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RN. Terminei o curso de Comunicação Social em Campina Grande/PB, no ano de 2002. Atualmente faço uma pós-graduação, MBA em Marketing e Negócios.

De experiência profissional, fui Secretário Parlamentar em Brasília (2001-2002), trabalhei na Assembléia Legislativa (2002) e atualmente sou Assessor de Comunicação da Prefeitura de Janduís (desde 2005).

Editor-chefe de jornais e revistas: Bom Senso (2001), Ação Parlamentar (2002), PT em Notícias (2005), Foco Empresarial (desde 2006), Revista Balaio (2006), Terra Potiguar (2006), Correio do Seridó (2006), etc. Produtor do programa Desenvolvimento em Foco, que faço com Diego Vale, correspondente da RPC de Caraúbas, e presto assessoria ao vereador Cláudio Sandêgi.

Escrevo sobre cinema. Essa paixão veio inspirada na minha professora de Metodologia Científica, Dalva Lobão, que nos pediu uma resenha sobre o filme O Carteiro e o Poeta, como trabalho da disciplina. Desde então, não parei mais.

Escrevi meus artigos em várias páginas na internet: Cinema em Cena, E-Pipoca, Cineclik, Terror 24 Horas, Cinema 2000 (Portugal), além de uma coluna fixa no jornal Correio do Seridó por cerca de 2 anos. Também sou colunista da revista Papangu, desde 2005, e recebi o convite para escrever no caderno Universo, do jornal O Mossoroense. Sem contar o observatoriodecinema.zip.net, onde exponho minhas observações sobre a sétima arte.

Nesse espaço, publicado todas as quintas-feiras, procurarei ser eclético. Como a proposta é fazer um blog opinativo-interpretativo, acredito que terei um ambiente bacana para expor minhas opiniões, de maneira construtiva, esperando contribuir para o enriquecimento do debate.

É isso, parafraseando o escritor Douglas Adams vamos aproveitar esse espaço para discutir sobre "a vida, o universo e tudo mais".