Acompanhamos desde ontem pelos noticiários de todo o País a manchete: “Governador da Paraíba é cassado por unanimidade pelo TSE”. Como bons consumidores midiáticos que somos, costumamos fazer das personalidades a impressão que a mídia massifica. O caso de Cássio Cunha Lima é emblemático. O norte-riograndense que sou sede espaço agora para o paraibano que em partes me considero e, por isso, permito-me um aparte:
O Brasil vê hoje em Cássio o exemplo a não ser seguido de homem público. A imagem que o brasileiro tem do governador é a do mais corrupto e desonesto político da história recente. Mas já pararam para pensar no que o paraibano pensa de Cássio Cunha Lima? Quem no restante do Brasil ousa conhecer mais seu governador que o próprio povo a quem ele governa? Será que Cássio merece a execração política que está sofrendo dos brasileiros que mal conhecem sua trajetória pública? Será que a cassação de Cássio foi realmente o julgamento mais justo a ser adotado pelos ministros do TSE?
Hoje não estou aqui para emitir juízo de valor. Estou aqui para questionar e duvidar o que muitos têm como certo. Para tanto vou dissertar algumas linhas sobre a trajetória daquele que poucos conhecem, mas que muitos se dão ao luxo de julgar! Afinal, muitos julgam conhecer alguém pela realidade que se apresenta mais fácil, mas é pela história de um ser que se conhece sua essência.
Cássio Cunha Lima é filho do maior político da história democrática da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima. Cássio foi prefeito de Campina eleito por três mandatos num intervalo de tempo de apenas 14 anos. Nesse mesmo período, ele ainda foi eleito o deputado federal mais novo da Paraíba e o Superintendente da antiga Sudene.
Em 2002, ele se candidatou ao Governo do Estado e se elegeu pela primeira vez governador. Com quatro anos depois, candidata-se à reeleição contra, na época, o maior líder de oposição do Estado, José Maranhão. Ganhou em segundo turno, quando quase ninguém apostava em sua vitória.
Com um currículo recheado de mandatos, eu pergunto: será esse o mesmo político que muitos denominam o maior ladrão do País na atualidade? Que ladrão é esse, que recebe mais de 1 milhão de votos? Que ladrão é esse que elegeu maioria absoluta na Assembléia? Que ladrão é esse que hoje é o candidato ao Senado com mais chances de ganhar a eleição? Que ladrão é esse...
Ao mesmo tempo me pergunto: como podem sete ministros que mal conhecem a Paraíba julgarem o destino de um Estado em menos de três horas? Como pode a cassação de um paraibano acontecer em uma noite, quando a de um sulista demora seis meses (refiro-me ao governador de Santa Catariana)? Por que o vice-governador de Santa Catarina tem o direito de ser ouvido e o “vice-paraibano” ser fadado a não ter nada para falar?
Para finalizar minha reflexão, quero dizer que as linhas por mim escritas não são frutos de identificação política. Apesar de ter recebido mais de um milhão de votos, Cássio nunca contou com o meu. Sou estudioso em política. Tenho monografia sobre o atual processo de cassação. E apesar de ser norte-riograndense (com orgulho e amor), conheço uma Paraíba que poucos conterrâneos meus conhecem. E a Paraíba que eu conheço é bem diferente da que o restante do Brasil julga conhecer!